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Venezuela segue devendo R$ 10 bi ao Brasil e sem previsão de pagamento

Venezuela segue devendo R$ 10 bi ao Brasil e sem previsão de pagamento

A dívida da Venezuela com o Brasil terminou 2025 em

US$ 1,856 bilhão (cerca de R$ 10,1 bilhões), segundo dados cedidos pelo Ministério da Fazenda à CNN. A cifra corresponde aos valores já pagos pela União em indenizações e os juros de mora acumulados.

A origem desta dívida é a ajuda do Brasil para o financiamento de obras de infraestrutura na Venezuela no início dos anos

2000, como a expansão do metrô de Caracas, uma ponte sobre o Rio Orinoco, a Usina Siderúrgica Nacional e estaleiros. O país caribenho está inadimplente desde 2018.

Segundo o BNDES, todas as as prestações não quitadas pela

Venezuela "já foram integralmente indenizadas pelo SCE" e que o saldo devedor foi transferido a União. Dessa maneira, resta a divida do governo venezuelano com o brasileiro.

Em resposta a questionamentos de parlamentares ao longo de 2025, o Ministério da Fazenda afirmou que não há previsão para os pagamentos. "Os valores não prescrevem e são atualizados conforme os encargos previstos contratualmente. Nesse sentido, a União continuará com os esforços para regularização", explicou em junho.

De onde vem a dívida da Venezuela?

Segundo o MDIC, os débitos da Venezuela são referentes a uma inadimplência relativa a exportações brasileiras de bens e serviços para o país vizinho que contrataram o Seguro de Crédito à Exportação.

"As operações foram financiadas em sua maior parte pelo BNDES, porém havendo operações com financiadores estrangeiros", disse a pasta em nota.

O BNDES, que era vinculado ao então Ministério da Economia durante o governo de Bolsonaro e passou a fazer parte do MDIC sob Lula, atua como principal instrumento de execução da política de investimentos do governo federal.

Durante os governos petistas, tanto nos dois primeiros mandatos de Lula quanto nos de Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD, popularmente conhecido como "Banco dos Brics"), houve desembolsos bilionários no banco, em particular para o financiamento à exportação dos bens e serviços de engenharia brasileiros.

No caso da Venezuela, foi concedido R$ 1,5 bilhão a vários projetos de infraestrutura realizados por empresas do Brasil.

Como o próprio banco explica em seu site, "nessas operações, assim como em todas as outras que o banco realiza, o BNDES desembolsa os recursos exclusivamente no Brasil, em reais, para a empresa brasileira, à medida que as exportações vão sendo realizadas".

Ou seja, a empresa brasileira que vendeu produtos ou serviços para fora do país recebe um pagamento do BNDES por isso.

Quem fica com a dívida neste caso é a empresa ou país estrangeiro que comprou o bem e serviço, que fica com a responsabilidade de pagar de volta o BNDES com juros, em dólar ou em euros.

Se há inadimplência, o BNDES aciona a estrutura de garantias e é ressarcido por mecanismos como o FGE.

A maior parte das operações de exportação de serviços de engenharia beneficiou cinco grandes empreiteiras brasileiras, todas envolvidas na Operação Lava Jato.

Especificamente nessa categoria, de financiamentos para exportação de serviços a outros países, três deram calote - a Venezuela entre eles - "em um valor total de US$ 1,09 bilhão acumulado até março de 2023", segundo o BNDES.

"Outros US$ 518 milhões estão por vencer desses países", informou o banco.

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